quinta-feira, 29 de junho de 2017

TVRNEWS: Entrevista com o ator Déo Garcez

"Gosto de fazer qualquer tipo de personagem, pois meu prazer é atuar", Déo Garcez


Apaixonado pela arte da interpretação, o ator Deo Garcez começou a atuar com 11 anos de idade e desde então não parou mais. Com 32 anos de carreira entre televisão, cinema e teatro, Déo é considerado  um dos mais brilhantes atores brasileiros. Sua primeira experiência na telinha foi na novela Chica da Silva, exibida pela extinta Rede Manchete onde interpretava o mucamo Paulo e atualmente brilha nas telinhas da Record na reprise da novela "A Escrava Isaura",no papel do escravo André. 

Daí em diante atuou em diversas novelas nas principais emissoras do país como Globo, SBT e Record, sempre dando um show de interpretação. Sua estreia no cinema foi em 2001 com o filme “O dono do mar”. Déo é sucesso no Teatro, na Tv e no Cinema. 

Ao longo de sua carreira foi indicado em vários prêmios como Melhor Ator pela APAC/Brasília e Melhor Ator pela Afrobras/SP.  Em 2007, ganhou como Melhor Ator, no Troféu Raça Negra, em São Paulo.

Atualmente está no teatro com a peça “LUIZ GAMA – Uma voz pela liberdade” a qual já fizemos uma matéria sobre a peça e você pode conferir aqui em nosso portal. Na Rede Record onde passou por quase oito anos, ele deu vida ao personagem André, um escravo revolucionário que além de lutar pela liberdade, era um eterno apaixonado pela escrava Isaura, personagem principal da trama, interpretada pela atriz Bianca Rinaldi.

A Escrava Isaura foi a novela mais reprisada pela Rede Globo e atualmente está sendo reprisada novamente pela Rede Record e vem cada dia ganhando a liderança de audiência no horário. 

Nas redes sociais, os seguidores e fãs do ator esperam ansiosos pela sua volta nas telinhas, “Quero ver o Déo novamente nas novelas, um dos melhores atores que já vi”, disse um internauta. “Estou amando rever você na novela Escrava Isaura, você é o máximo”, disse outra seguidora.

E o nosso jornalista Jairo Rodrigues bateu um super papo com o ator, e você confere a partir de agora:

Jairo Rodrigues: Déo, primeiro, vamos falar um pouco de você. Quem é Deo Garcez no dia a dia?
Déo Garcez: Sou um cara que curte acordar cedo para trabalhar e fazer o dia render. Sempre que possível, adoro cochilar um pouco depois do almoço. Quando isso não é possível, emendo no trabalho, seja estudando para algum personagem, decorando texto, lendo um livro, interagindo nas redes sociais, articulando trabalho ou interagindo com meus fãs. 

JR: Sabemos que você lecionou por mais de 10 anos como professor de artes cênicas em uma escola municipal do Rio de Janeiro, como foi essa experiência para você?
DG: Foi incrível. Cresci tanto como pessoa e educador quanto como ator.
Toda experiência que o ator passa na vida, de uma forma ou de outra, acaba refletindo no resultado do seu trabalho. No caso, ter dado aula, onde ensinar também é aprender, posso dizer que foi uma experiência altamente enriquecedora. O resultado do meu trabalho de ator, hoje, não seria o mesmo se eu não tivesse dado aula.

JR: Como você chegou à TV?
DG: Depois de ter feito bastante teatro, ter feito duas faculdades de teatro (sou formado como ator e como professor), ter sido aluno da saudadosa e grande atriz Dulcina de Moraes, de ter participado, até aquela época, de mais de 30 peças de teatro, alguma como protagonista. Além de ter sido dirigido por ótimos diretores, como a própria Dulcina, Ricardo Torres e Reynaldo Faray, resolvi passar pela experiência de atuar na TV. Para isso, fiz cursos de interpretação para TV com Wolf Maia, Tizuka Yamazaki, Atílio Ricó e Ajax Camarcho. No primeiro teste que fiz pra TV, que foi para o mucamo Paulo da novela Xica da Silva, de Walcyr Carrasco e direção de Walter Avancini, eu passei.  Foi uma  grande felicidade e grande gratidão ao Avancini! A novela e meu personagem foram um sucesso total! Fiquei fascinado com a primeira experiência, claro! E não parei mais.

JR: Nós já estamos em 2017, século XXI, e muito ainda se fala na questão do ator negro nas telenovelas. Mesmo tendo um certo avanço nessa questão da participação do ator negro, principalmente em relação aos papéis interpretados, você acha que ainda rola algum tipo de preconceito na hora da divisão dos papéis?
DG: Com certeza. O preconceito se reflete tanto na quantidade quanto na qualidade dos personagens atribuídos aos atores negros. Ainda estamos longe de, pelo menos, uma certa igualdade de condições, que é um reflexo do preconceito lamentavelmente enraizado em todas as esferas, áreas e camadas da nossa sociedade.

JR: Você trabalhou bastante tempo na Rede Globo e na Rede Record, como é hoje o seu relacionamento com essas emissoras? Tem algum convite em vista para algum trabalho?
DG: Meu relacionamento com todas emissoras é saudável. Na Globo fiz apenas “O Cravo e a Rosa” e recentemente uma boa participação em Malhação. Entre Globo, Manchete, Record e SBT, fiz ao todo onze novelas. Na Rede Record fiquei mais tempo, onde fiz cinco novelas. O melhor de tudo é que todas elas foram reprisadas, algumas até três vezes, o caso de “A Escrava Isaura”, na Record TV. Enquanto não sou convidado para uma próxima novela, continuo fazendo teatro e cinema. Neste momento, por exemplo, faço a peça “Luiz Gama – Uma Voz pela Liberdade”, de minha autoria, direção de Ricardo Torres, em que divido o palco com a atriz Nivia Helen.

JR: Sabemos que o ator não escolhe trabalho, o verdadeiro ator encara qualquer desafio que lhe é proposto, mas existe algum tipo de personagem que você mais goste de fazer? Por exemplo, você prefere fazer personagens bonzinhos ou prefere os vilões? 
DG: Gosto de fazer qualquer tipo de personagem, pois meu prazer é atuar, porém se o personagem for interesse, se tiver algo a mais, um forte conflito, por exemplo, melhor ainda. Agora se eu tiver que escolher entre o mocinho e o vilão, claro, prefiro o vilão. O vilão é sempre mais interessante, mais desafiador, pela complexidade na humanidade que posso dar a ele. Por outro lado, o meu personagem André da novela “A Escrava Isaura”, não era um mocinho, era um herói cheio de conflito e que me meu imenso prazer em fazê-lo.

JR: Até aqui, qual personagem mais marcou a sua carreira e por quê?
DG: Difícil de responder, mas vamos lá!
No teatro é o Luiz Gama, da minha peça “Luiz Gama – Uma Voz” pela Liberdade” e o travesti Stella, da peça “Morte Sobre a Lama”, de Ricardo Torres, além de Ferrabrás da peça “A Batalha de Oliveiros e Ferrabrás”, de W.J.Solha. Na TV foi mesmo o André de “A Escrava Isaura”, sob a direção de Herval Rossano e o mucamo Paulo da novela “Xica da Silva”, de Walcyr Carrasco. Pelos motivos que respondi anteriormente.

JR: A linguagem no teatro e na Tv são bastante diferentes. Antigamente os atores estudavam muito mais que hoje antes de subir no palco ou enfrentar as câmeras na Tv. Uma nova geração de atores estão pulando a etapa do teatro e indo direto para as telinhas. O resultado disso muitas vezes é um ator engessado que não consegue dar vida ao personagem. Para você, qual a importância do teatro na formação do ator?
DG: Para mim é fundamental. O palco é a base, o alicerce do trabalho do ator. O ator de teatro, que tenha uma boa experiência de palco e que tenha uma inteligência cênica, terá grandes chances de se adequar mais facilmente ao veículo TV. O contrário quase sempre não acontece. 

JR: O que o Walter Avancini representa na sua vida?
DG: Ele abriu boas portas pra mim na TV. Me aprovou no teste que fiz com ele pra fazer a novela Xica da Silva.. Em seguida fiz com ele a novela “Mandacaru”, ambas na extinta Manchete, depois “O Cravo e a Rosa”, outro grande sucesso.  Com ele dei meus primeiros passos na TV. 

JR: Agora vamos falar do sucesso que está sendo a reprise da novela Escrava Isaura na Record Tv. Como você se sente com todo esse sucesso que a novela vem fazendo e como foi para você interpretar o escravo André?
DG: Me sinto super feliz pelo sucesso da novela e igualmente pelo sucesso e reconhecimento do público e da crítica especializada sobre o meu trabalho. Foi maravilhoso ter vivido o escravo André. Ele era um herói que lutava pela liberdade e pela igualdade, que lutava por um amor não correspondido, que sofria pelo cruel assassinato da sua mãe. Ou seja, era um personagem cheio de conflitos. Tentei e acho que consegui imprimir no escravo André, a revolta, a indignação e as angústias, vindas do sofrimento que minhas ancestralidades negras e indígenas passaram. Com ele dei o meu recado à injustiça que foi a escravidão. Sou imensamente grato ao saudoso diretor geral da novela, o Herval Rossano, por ter me convidado para viver este personagem, e como ele mesmo dizia, ser um dos protagonistas da novela.

JR: Deo, fale da sua experiência em teatro, sua trajetória, como começou e as peças que fez, por exemplo.
DG: Comecei a fazer teatro bem cedo, aos onze anos de idade, exatamente quando assisti pela primeira vez uma peça de teatro lá em São Luiz-MA, cidade onde nasci, sob a direção de Reynaldo Faray. Com ele comecei a fazer teatro. Teatro pra mim foi mesmo uma paixão à primeira vista. Daí fui para Brasília com minha família e lá fiz os cursos de Bacharelado em Interpretação Teatral e Licenciatura Plena em Artes Cênicas na Faculdade de Teatro Dulcina de Moraes, de quem fui aluno. Além disso fiz curso com o diretor Antunes Filho, entre outros. Tenho no currículo pra mais de 45 peças de teatro, de autores como Shakespeare, Nelson Rodrigues, Maquiavel, Plinio Marcos, Martins Pena, Alcione Araújo, Harold Pinter, Jean Genet, Michel de Ghelderode, etc. Aqui no Rio continuei fazendo teatro, ao mesmo tempo em que faço TV e cinema.

JR: Para terminar, queremos agradecer imensamente por este bate papo, mais uma vez parabeniza-lo pelo excelente trabalho no Teatro, na Tv e no Cinema. Você tem uma trajetória de vida sensacional, uma carreira brilhante como ator, que serve de referência e espelho para essa nova geração de atores que estão surgindo. Com isso, gostaríamos que você deixasse uma mensagem para essa garotada que sonha em brilhar nos palcos e nas telinhas.
DG: Tenha certeza que realmente você quer ser ator ou atriz. Falo por mim, pela minha experiência. Eu sinto uma necessidade existencial de ser ator. Pra mim isso é fundamental para me manter vivo. No mínimo você tem que ter uma grande vontade de estar no palco, seja no teatro, cinema ou TV. Talento conta bastante, vocação e dom igualmente contam também. Depois disto, é fundamental se aprimorar, estudando, preparando-se tecnicamente, fazendo bons cursos, aprendendo com bons profissionais. Faça e veja teatro, veja cinema, dedique-se ao máximo, viaje, leia bastante, reciclique-se. Arrisque-se em diferentes experiências teatrais, joque-se de corpo e alma. O mercado de trabalho é difícil, competitivo, muitas vezes cruel, mas se você tem uma paixão e um amor pela arte de interpretar, siga em frente buscando a realização do seu sonho. Assim eu fiz e assim faço todos os dias!

A você, Jairo Rodrigues e equipe do TVR NEWS, muito obrigado pelo convite para esta entrevista. Foi um prazer! Sucesso sempre a vocês! Forte abraço!

























Jairo Rodrigues- TVRNEWS 
Fonte: Giro das Estrelas 
Assessoria Marcinha Araújo


















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