quinta-feira, 3 de agosto de 2017

Racismo: Funcionário é chamado de ‘preto folgado’ e ameaçado com facão pelo chefe, em Vargem Grande Paulista

Encarregado queria que funcionários almoçassem em casa abandonada (Foto: Arquivo Pessoal)

Um operador de máquinas está afastado do trabalho há um mês após ter sido vítima de racismo e assédio cometidos, segundo ele, pelo próprio chefe. A vítima é um funcionário do Consórcio São Lourenço, responsável por realizar uma obra da Sabesp para reforçar o abastecimento na Grande São Paulo.
O homem de 40 anos, que pediu para não ser identificado, mora em São Vicente, no litoral paulista. Ele diz que, em 11 de julho, foi alvo das agressões cometidas pelo encarregado, depois que solicitou a ele um local adequado para realizar as refeições no canteiro de obras, em Vargem Grande Paulista (SP), onde está uma das frentes de trabalho.
“A empresa sempre ofereceu um lugar adequado. Na medida em que a obra avança, muda. Naquele dia, ele queria colocar a gente em uma casa abandonada. Ela era utilizada por moradores de rua e não tinha nada de higiene. Nem ventilação, nem luz. Eu disse a ele que não daria para comer ali. Só isso”, relatou.
Ao se recusar a utilizar o espaço, o operador de máquinas disse que o encarregado puxou uma faca. “Ele veio para cima de mim me chamando de ‘preto folgado’, e disse que, provavelmente, eu iria passar o resto da vida passando fome. Eu nunca tinha passado por isso antes, e nunca pensei em passar por isso”.
A situação foi contornada com o auxílio de outros colegas. Entretanto, o funcionário não conseguiu mais retornar ao trabalho depois daquele dia. “Eu relatei o que tinha acontecido, e ninguém me deu atenção. O consórcio não quis saber de mim. Eu procurei ajuda médica, e eles me afastaram. Vou passar por perícia, agora”.
Local não tinha condições para receber os trabalhadores, segundo denúncia (Foto: Arquivo Pessoal)

O operário registrou um boletim de ocorrência em razão das ameaças. “Eu sou negro. Racismo a gente enfrenta todo dia, seja de brincadeira ou de forma séria. Mas aquilo ali mexeu muito comigo. Depois disso, a gente percebe como é pequeno. Eu tenho duas filhas e tenho que cuidar delas. Estou com medo”.
Por meio de nota, a Sabesp informou que tanto o funcionário quanto o supervisor são funcionários contratados do consórcio de empresas que executa a obra do Sistema São Lourenço, na Grande São Paulo. “A companhia vai analisar a situação com base no contrato, e, se for o caso, aplicará as sanções cabíveis”, pontuou.
A obra é uma parceria das construtoras Andrade Gutierrez e Camargo Corrêa, que informaram não compactuar com qualquer tipo de discriminação, e que mantêm “o compromisso de garantir os direitos fundamentais de todos os colaboradores”. O consórcio ainda informou que demitiu o funcionário alvo da denúncia.

Sistema

O São Lourenço, uma Parceria Público Privada (PPP) , tem investimentos de R$ 2,21 bilhões, e será o sétimo sistema a abastecer a capital paulista, juntando-se ao Cantareira, Guarapiranga, Rio Claro, Rio Grande, Alto Cotia e Alto Tietê. A captação de água vai ocorrer por meio de 83 km de adutoras (grandes tubulações), incluindo um túnel de 1.100 metros.
Em parte do trajeto, os tubos chegam a ter 2,10 metros de diâmetro. Um dos pontos principais é o bombeamento da água para superar o desnível de 300 metros da Serra de Paranapiacaba. O projeto prevê, ainda, a construção de uma estação de tratamento de água em Vargem Grande Paulista, e reservatórios para armazenar até 110 milhões de litros d’água.
Obra de abastecimento da Sabesp é executada por consórcio (Foto: Ciete Silvério/Divulgação)
Jairo Rodrigues- TVRNews
Fonte: Portal G1





Um comentário:

  1. E este absurdo vai ficar assim mesmo? Sem uma resposta?Sem uma ação?Há a necessidade tanto da Camargo Corrêa como da Andrade Gutierrez de dar uma solução ao problema,tais comportamentos revolta.A ação foi registrada aqui na delegacia de Vargem?Vamos levantar.

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