quinta-feira, 9 de novembro de 2017

No subsolo do poder, por Jairo Rodrigues



Cravados num pedacinho da zona sul, de um lado está o verde e as fontes multimídias do velho parque do Ibirapuera, cenário de caminhadas, piqueniques e baladas. É a criança, é o adulto, é o cachorro, é o atleta, tem até gente de bicicleta. 

Seja outono, primavera, inverno ou verão, sempre tem vida disposta à diversão. No meio está ele, o monumento às bandeiras, hora vandalizado, hora contemplado, parece até piada, mas é a mais verdadeira obra ilustrada. 

O apelido carinhoso de  "deixa que eu empurro" e "empurra-empurra", é apenas uma mera coincidência com o prédio do outro lado da rua? Ou será a verdade nua e crua? 

Lá está ela, fria, gélida e por vezes insensível, denominada de "casa do povo". Qual povo? Os de terno e gravata amarelada, avermelhada e azulada? A mãe Joana disse que a casa é dela também. E agora José? 

Do povo ou da mãe Joana? 

Da parte de cima  é Vossa Excelência pra cá e Vossa Excelência pra lá! Nos corredores, obras de arte enfeitam os pequenos, não tão pequenos assim, gabinetes da nobreza, quer dizer, representantes da pobreza. 

Mas uma coisa é fato! Aqui é palco para muitas peças, seja drama, comédia ou tragicomédia. Em cena o ator com cara de vilão grita em frente a uma platéia animada, "Vossa Excelência é um bandido", o outro ator solta a sua fala, "Bandido é Vossa Excelência". Lá no meio da platéia há um outro ator camuflado que também diz em voz baixa quase que sussurrando, "isso é uma pouca vergonha". O outro do canto esquerdo grita, "Ordem na casa Senhor presidente". 

A essa altura a peça já está quase no fim, o ator principal olha para um lado da coxia, para o outro e por fim olha para a plateia e diz, " A sessão está encerrada até segunda ordem". Nisso, as vozes vão se abaixando, o silêncio vai tomando conta do teatro e os atores partem em retirada. O espectador? Ah! Esse espera sentado pelo próximo espetáculo. 

Mas e o tal subsolo do poder? 
Calma, querido leitor, eis que chegarei lá...

Essa é a melhor parte! É onde realmente encontraremos "A Casa Do Povo". Deixemos os grandes palcos da  nobreza, descendo alguns degraus terra abaixo, chegamos ao subsolo do poder. 

Aqui, andando pelos palcos estreitos, não tão luxuosos quanto os que vimos na parte superior, mas com muito mais alegria e vivacidade, nos deparamos com a Nina, mascote da Polícia Militar, deitada em sua confortável cama, ao lado uma vasilha com água e ração. Que me perdoe os religiosos, mas Nina dormia feito um anjo. Calma e serena.  

Vamos passear rapidamente pela história da Nina antes de seguirmos para o próximo palco! Há um certo tempo atras vivia ali uma outra cadelinha, que não era a Nina, depois ela foi se aproximando, hora aparecia e depois desaparecia, até que um dia a coleguinha de Nina se foi de vez, "foi dormir o sono dos justos", como diz o velho ditado. Nina então, se tornou a mais nova dona do pedaço e desde então está lá, dominando os palcos da PM. 

Continuando pelo subsolo do poder, lugar que pouca gente vê, tem farmácia, bancos, correios, lojas, restaurantes, policia civil, departamento de emissão de RGs, pouco, perto de tanto que merecemos ter.

Na câmara, enquanto um faz delação, o outro usa gravação, mas todos com a mesma intenção, se livrar da fama de ladrão.

Não há escapatória para tantas tramoias, é operação x, é carne fraca e lava jato, que se cuidem os engravatados de fino trato. As malas de dinheiro vão levando o país cada vez mais para o bueiro. Nas redes sociais o povo não se cala mais, briga daqui, briga dali, tudo isso para não ver o país falir.

A crise pegou, o desemprego aumentou. Todo dia é essa agonia, do jovem ao pai de família todos precisando da mesma força todo dia. Ao final do espetáculo, a plateia grita: Onde está você democracia? 

Jairo Rodrigues - TVRNews










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